É sobre isso: nós podemos mudar o cenário quando falamos a respeito da desigualdade de gênero

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Na interlocução das grandes multinacionais com o mercado, cada vez mais se observa a indicação da igualdade de gênero como valor institucional. Muitas mulheres, de fato, dominam esses ambientes, contribuindo para seu desenvolvimento.

Bancas de advocacia também são formadas pela presença de mulheres admiráveis, combativas e brilhantes, que auxiliam os processos decisórios importantes para os clientes e a construção reputacional dos escritórios.

Embora tenham maior participação ano após ano, pesquisas e indicadores sociais apontam que ainda há diferenças de remuneração entre homens e mulheres para posições idênticas (cerca de 30% menor para elas), e a dificuldade da inclusão de mulheres na alta liderança (menos de 15% dos cargos de diretoria e gerência são compostos por mulheres, com 25% de remuneração menor que homens).

Falar sobre o assunto abertamente é, portanto, de suma importância, inclusive para buscar a mudança nesse cenário de injustiça sexista.

A desigualdade entre os sexos se demonstra desde o acesso aos postos de trabalho, em qualquer faixa etária, sendo mais gritante a distinção de cargos e salários quando se envolvem mulheres negras, as quais são as mais prejudicadas nessa cadeia. A elas, infelizmente, restam os postos de serviços mais básicos, com diferença de remuneração que chega a 60% ou até 80% em relação ao homem, e ainda é 30% menor em relação às mulheres brancas, para mesmas posições.

Os trabalhos não remunerados, ditos domésticos, também influenciam nos resultados das avaliações, pois são entraves para oportunidades e definição de escolhas masculinas por alguns recrutadores. Se as mulheres possuem filhos, estão gestantes ou são recém-casadas, elas simplesmente não passam no filtro das oportunidades. (No cenário atual de home office, a existência dos “filhos” passou a ser um “problema” ainda mais evidente.)

A ausência de uma regulamentação sancionatória que determine o tratamento equânime entre homens e mulheres nas relações laborais permite que essas desigualdades fiquem gritantes, sendo insuficiente a previsão na Carta Magna de que eles são iguais perante a lei.
A baixa representatividade de mulheres no cenário político também contribui para a permanência desse cenário de injustiça social sexista, pois a ausência de interlocução nas Assembleias Legislativas municipais, Câmara de Deputados e Congresso Nacional não permite que seja alcançado o número necessário de parlamentares que validem o interesse para que projetos legislativos de defesa de direitos de mulheres sejam efetivamente realizados.


Enquanto não podemos transformar o cenário atual, que ainda indica um longo caminho a trilhar política e socialmente para superação das desigualdades, alguns comportamentos comuns no dia a dia podem ser alterados no sentido de “educar” colaboradores e gestores na comunicação entre os sexos e no reconhecimento da importância feminina no ambiente de trabalho.

Pesquisas sobre o assunto demonstram, por exemplo, que mulheres se sentem bem menos à vontade que os homens em diversos aspectos do relacionamento com a liderança, seja para apontamento de divergências, seja para indicação de ideias mais arrojadas, seja na discussão sobre benefícios e salários. O estímulo dos gestores a uma comunicação mais aberta sobre tais assuntos certamente pode melhorar os resultados nessa relação e aumentar a produtividade.
Na comunicação propriamente dita, homens precisam dar mais voz às mulheres, as quais usualmente sofrem por não serem ouvidas, por serem interrompidas nas suas comunicações, por sentirem a falta de reconhecimento de seus méritos profissionais, e até pelo fato de lhes ser usurpada a autoria deles. Dificilmente há alguma mulher que não tenha uma “história triste” para contar sobre o assunto.

Portanto, enquanto aguardamos políticas sociais mais justas na questão de gênero, cabe à sociedade civil, nas pessoas de homens e mulheres, manterem aberto o canal de fala sobre o assunto, e se auxiliarem diuturnamente a viver em harmonia, lutando para que as oportunidades sejam dadas em igualdade de condições entre os sexos, respeitando-se as diferenças naturais entre os seres humanos, mas também, promovendo ações e comportamentos que valorizem a potência das contribuições do lado feminino, o qual notoriamente, sofre muito mais com as desigualdades impostas nas relações de trabalho.

Sylvie Boechat, head das áreas de Cível e Contencioso no S&S.

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